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Junta de Freguesia - Locais Interesse

CAPELA DE S. DOMINGOS

Cronologia : Séc. 19 - construção da capela conforme inscrição muito delida no alpendre

Está situada a 4 km.s da povoação junto à estrada que vai para o Vieiro.

Dava protecção aos viajantes que ali passavam na antiga estrada real Vila Real, Moncorvo.
  
Descrição : Planta simples definindo espaço único semicircular precedido de pano de parede avançado destinado a suster a cobertura do alpendre.

Aparelho em silhares de granito.

A cobertura que desapareceu era em telhado de duas águas.

Fachada principal orientada a NO. com vão recto dotado de porta de duas folhas em madeira e gradeamento férreo de meia altura até ao topo sendo este o único vão que se rasga no corpo da capela.

A fachada, que termina em empena, é rematada lateralmente por duas pilastras.

Interior com aparelho em alvenaria de granito rebocado a branco.

O pano de parede que suportava o telhado do alpendre é em silhares de granito rematado lateralmente por pilastras ornadas com um motivo vegetalista austero.

Ao centro rasga-se vão definido por duas pilastras que sustentam arco abatido.

AS FONTES

      Situam-se no Largo da Fonte e juntas formam um belo conjunto, recentemente foram alvo de uma recuperação ficando o seu conjunto ainda mais belo.
A Fonte Romana é arcada e talvez fonte de origem medieval, ainda que nela exista a data de 1780.
      Ainda não há muitos anos, (década de 80/90), quando a água escasseava no ribeiros e poços da aldeia era aqui que as senhoras vinha lavar as roupas, pois ao lado da fonte existe ainda hoje uma pia onde se colocava a água.

      A Fonte das Bicas está ao lado da Fonte Romana. Tem duas bicas que deitam, constantemente, imensa água. Esta é quente no Inverno e muito fresca no Verão. O depósito está situado na propriedade que lhe fica nas traseira. Actualmente está tapado, mas antigamente era uma fonte de mergulho a que o povo chamava "Fonte da Bufarra". No verão, os moradores da aldeia, serviam-se imenso desta água ainda que a sua qualidade deixasse muito a desejar, problema que dura há séculos.


     Curiosidade:
Segundo o povo as águas das fontes de Freixiel "eram ruins e causadoras de muitas maleitas", mas mesmo assim era aqui que as pessoas vinham buscar água para o consumo diário.
     Fazia parte do ritual diário das moças da aldeia dirigirem-se ao fim da tarde à "Fonte Velha " com a sua cantarinha a fim de ir buscar água.
Lá os rapazes já as esperavam ansiosamente, pois a ida à fonte servia de pretexto para os casais de namorados poderem conversar um bocadinho.

CASA DO CONDE

     Acesso : Lg. do Terreiro do Conde
Cronologia : 1790 - época de construção conforme data inscrita sobre a janela de sacada, tendo sido seu primeiro possuidor Francisco António de Araújo Borges Teixeira Chaves, Fidalgo da Casa Real

     Enquadramento : Urbano e harmónico não fora o estado de ruína que evidência e o muro que se adossa a N.. A fachada principal confina com a rua abrindo para um largo onde confluem várias artérias.
     As fachadas laterais confinam apenas em parte com a rua uma vez que lhes foram adossados muros que delimitam quintais, um em cada fachada, que escondem o primeiro registo do edifício.
 
     Descrição : Planta rectangular destacando-se no ângulo SE. um corpo que corresponderia à cozinha e dependências de apoio.
Coberturas diferenciadas em telhado de quatro águas, de duas águas sobre o pequeno frontão que remata ao centro a fachada principal, de três águas no corpo a SE. e de uma água sobre o alpendre desenvolvido a E..
     O aparelho, que a decadência do reboco revela, é em alvenaria de granito.
Frontispício virado a O. com cunhais apilastrados, embasamento de cantaria e dois registos.
     No 1º, portal ao centro com lintel curvo rematado por delgada moldura saliente em jeito de pingadoiro, flanqueado por dois pequenos vãos rectangulares; no 2º dois pares de janelas de guilhotina com moldura igual ao portal e aventais caprichosamente rematados em cogulhos simples.
     Ao centro, sob frontão, pedra de armas dos Araújos e Borges (MORAIS, 1988), o qual interrompe a cornija de labor simples.
     O alçado N. tem ao nível do 2º registo, janelão de sacada, ornado por pilastras laterais de caneluras profundas e lintel curvo rematado por cornija curva. O lintel e a cornija apresentam um ressalto central marcando o campo onde foi inscrita a memória da edificação: "AN.MD/ CC.LX/ XXX".
     Recebeu portada de duas folhas e guarda em ferro.
Junto ao ângulo NE., janela de guilhotina e moldura simples de cantaria com lintel curvo.
     Este alçado apresenta também remate em cornija de cantaria de labor simples. No alçado E. desenvolve-se no primeiro pano da fachada o alpendre que se interrompe no segundo pano correspondente ao corpo avançado do edifício. No alçado S. rasgam-se, no 2º registo, duas janelas de guilhotina de moldura simples de cantaria com lintel curvo. No ângulo SE. desenvolve-se o corpo avançado do edifício, hoje independente.

A FORCA

     Reza a história que a Forca de Freixiel executou penas de morte ordenadas pelo rei até meados do século XIX.
 
     Reconhecida como Imóvel de Interesse Público pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), a Forca de Freixiel, no concelho de Vila Flor, é um exemplar único em Portugal do tempo da pena de morte.

     Erguida numa colina com vista panorâmica sobre a aldeia, a forca é composta por duas pedras de granitos com cerca de três metros de altura, sobre as quais assentaria uma trave de madeira, onde era amarrada a corda.
     Apesar do local estar em bom estado de conservação, a trave que protagonizou a morte cruel daqueles que desobedeciam às leis do reino já não existe.
Dada a importância do monumento, a zona envolvente foi intervencionada no âmbito do programa "Portas da Terra Quente", financiado pelo Programa Operacional da Região Norte.
     Segundo fonte da Associação de Municípios da Terra Quente, os trabalhos de intervenção ao nível do tratamento e valorização paisagística foram levados a cabo há cerca de dois anos, com o objectivo de tornar o espaço mais atractivo, do ponto de vista turístico.

     Intervenção orçada em cerca de 65 mil euros melhorou os acessos e a zona envolvente à Forca de Freixiel

     A par da limpeza da zona envolvente à forca e da iluminação, foram colocados vários painéis informativos junto do imóvel, que explicam aos visitantes a evolução da forca ao longo dos tempos em que a pena capital era executada em Portugal.
Além disso, os forasteiros também são convidados a visitar a aldeia de Freixiel, que, em tempos, alcançou o estatuto de vila. No local, com vista panorâmica, encontra-se um painel que enumera e explica todo o património da aldeia e indica a sua localização.

     A intervenção, orçada em cerca de 65 mil euros, comparticipados pelo programa "Portas da Terra Quente", também contemplou a limpeza de asseiros para a criação de percursos pedestres, desde Freixiel até ao alto da colina, com a sinalização destinada aos turistas que optem por contemplar a beleza da paisagem.
     Quem avista a forca da estrada de acesso à aldeia também encontra sinalética para chegar de automóvel até ao local onde, outrora, as leis do reino ordenaram a morte de quem cometia crimes puníveis com a pena capital (ver caixa).

     A abolição da pena de morte para crimes políticos foi decretada em 1852 e, em 1867, para crimes civis, mas Freixiel guarda, ainda, um marco da história único em todo o País.

Morte por desobediência ao rei

     Práticas de feitiçaria, dizer mal do rei, abrir as suas cartas ou as da rainha, ou denunciar os segredos do reino eram crimes que, até meados do século XIX, foram puníveis com as seguintes penas: "morra por elo; seja queimado; morra de morte natural, cruelmente".
     Além disso, quem praticava crimes mais graves, como violações, adultérios, roubos, fraudes ou assassinatos era condenado à morte na forca.
     Este instrumento de execução era bem visível pela população do lugar, reforçando, assim, o poder judicial, que, em última instância, pertencia ao rei.
     Alguns testemunhos revelam que, perto do lugar denominado "Portela da Forca", existe um lugar conhecido como "Fiéis de Deus", onde seriam sepultados os corpos executados na forca que, devido à sua condição, não podiam ser enterrados nem na igreja, nem no adro.

CAPELA DE SANTO CRISTO

     Cronologia : Séc. 15 - época de construção do cruzeiro.

     Séc. 17 - construção da capela no caminho que conduzia à Igreja Paroquial.

     Séc. 20, terceiro quartel - a capela é retirada do caminho e deslocada para a actual implantação, alguns metros para N. e sofre adulterações, designadamente remoção do altar de talha dourada, substituição da coluna do cruzeiro e corte do elemento que hoje funciona como mísula e que poderia corresponder ao antigo capitel sendo truncada também a inscrição. 
 
     Capela de pequenas dimensões de planta quadrangular simples.

     Cobertura em telhado de quatro águas, reboco exterior branco.

     A fachada principal é orientada a S. com pequeno nicho que interrompe a cornija encimando o portal de vão recto.

     O nicho é sobrepujado por campanário encimado por cruz ao centro e dois pequenos pináculos que a flanqueiam.

     Portal, nicho, cornija e campanário são em cantaria bem como os cunhais apilastrados e os pináculos que os rematam superiormente.

     No alçado O. rasga-se janela de pequenas dimensões ornada com vidro policromo e os restantes alçados são cegos.

     O interior, de espaço único, é iluminado pelo vão aberto a O.; as paredes são rebocadas a branco e o tecto é de madeira. O pavimento é cimentado a partir da porta e em lajeado granítico sob o cruzeiro e altar. 
 
     Adossado à parede fundeira ergue-se o cruzeiro, ao centro, flanqueado por duas mísulas que sustentam imagens.

     O cruzeiro é constituído por coluna granítica simples, de talhe recente, com fuste de secção quadrangular sobre a qual assenta mísula granítica com inscrição encimada por cruz latina também em granito, simples mas volumosa, com representação de Cristo.

 

     A cruz foi pintada a castanho e a imagem recebeu pintura de feição naturalista.

    Em cima a cruz inscrição: "JNRJ". A capela encontra-se ocupada por pequenas secretárias.

CAPELA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

     Está situada no alto do monte do mesmo nome, a sudoeste da povoação. Capela simples construída em 1565, então denominada Senhora do Rosário do Calvário, deu origem a um belo santuário construído desde a década de sessenta. Este é constituído por um grande recinto, escadaria, capelinhas, casa dos milagres, casa restaurante, coretos, uma interessante escultura de Nossa Senhora e um cruzeiro, inaugurado em 1988.
     Todos os anos se realiza neste santuário a festa em honra de Nossa senhora do Rosário no 1º ou 2º fim de semana de Agosto, a qual consta festa religiosa procissão e arraiais com banda musicais conjuntos e fogo de artificio.
Também o Santuário foi recentemente alvo de uma intervenção de melhoramento.

NECRÓPOLE DO SALGUEIRAL

     Cronologia : Sécs. 8 / 11 - provável abertura e utilização das sepulturas.
     Sepulturas alto-medievais escavadas na rocha, de planta trapezoidal.
     Descrição : Encontram-se à vista 2 sepulturas afastadas entre si cerca de 8 m.


     Apresentam planta trapezoidal de cantos suavizados, estando alinhadas no sentido NO - SE.
     Uma tem 1,87 m de comprimento, 0,49 de largura na cabeceira e 0,39 nos pés.
     A outra possui 1,86 m de comprimento, 0,56 m de largura na cabeceira e 0,45 nos pés.

Lenda do Castelo

     "No castro de Freixiel, existe um penedo encantado. Reza a história que o seu interior continha um tesouro. Apesar do esforço de alguns pedreiros em picar o penedo a fim de obter o tesouro, o seu encanto era tal que permanecia intocável. Reza também a história que nesse mesmo penedo nasceu um sobreiro que apesar de não ter por onde se alimentar, não mais secou"

Lenda do Olival Escuro


      "Em Freixiel, no canto do Olival Escuro, situava-se uma fonte que, reza a história, possuía uma moura encantada. Todas as noites a moura chorava para exprimir a tristeza de permanecer presa na fonte. O encanto só seria quebrado se alguém, á meia noite, bebesse água na fonte. Diz-se que se o encanto fosse quebrado, a moura transformar-se ia numa pessoa normal, não fazendo mal a ninguém. No entanto, nunca se constou que o encanto fosse quebrado".

  
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